Xerife de Suffolk encerra convênio com ICE e redireciona recursos para mulheres

BOSTON – O xerife do Condado de Suffolk em Massachusetts, Steven Tompkins, anunciou nesta terça-feira, 8, o fim do convênio do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) dos Estados Unidos para direcionar a verba para programas de reabilitação de mulheres “que se tornou a população carcerária que mais cresce no país”.

“Nos orgulhamos do compromisso que firmamos com o ICE, mas escolhemos redirecionar os nossos esforços para expandir os serviços para as mulheres de Massachusettts e sermos capaz de ressocializá-las para que elas possam cuidar de si mesmas e de suas famílias”,  afirmou Tompkins.

Há 16 anos, o Condado de Suffolk aluga celas para o ICE. Segundo o contrato assinado em 2003, o governo federal pagava a diária de US$90 por detento e não há informações de que o valor tenha sido corrigido durante quase duas décadas.

Um levantamento da Rádio Pública de Massachusttes (WBUR) revela que essas parcerias trouxeram US$40 milhões para o Estado nos anos fiscais de 2017 e 2018, mas os jornalistas questionam a receita uma vez que as cadeias locais arcam com as despesas inciais para serem reembolsadas posteriormente e os cálculos do custo e benefício são imprecisos.

De acordo com o ICE, a média do custo de um preso de imigração em prisões locais em 2018 foi de US$98, oito dólares a mais do que o relatado por Suffolk. No ano seguinte subiu para $126.52.

Para a diretora executiva da ACLU (Associação Americana de Liberdades Civis),  de Massachusetts, Carol Rose, a decisão do xerife Tompkins mostra quão desnecessário é manter uma pessoa presa apenas por questões imigratórias.

“Espero que isso não resulte na construção de mais prisões e que agora, mais do que nunca, os residentes de Massachusetts diviam pedir para os nossos legisladores e governador que se levantem contra as políticas anti-imigrantes do presidente Donald Trump e sejam sensíveis para aprovar leis favoráveis a essa população”, disse Carol ao citar projetos como a carteira de motorista para imigrantes indocumentados.

Mulheres encarceiradas

Os presos de imigração vão ser transferidos do presídio de Suffolk a partir da segunda quinzena de dezembro e os recursos que antes eram dispensados para manter um detido por questões imigratórias vão financiar projetos como o CREW (Reentrada Comunitária para Mulheres), direcionados para a população carcerária feminina.  A iniciativa vai beneficar também presidiárias de Essex, Norfolk e Plymouth.

Segundo a organização Prison Policy, 2.879 milhões de mulheres são encarceiradas todos os anos nos EUA, 80% delas têm filhos.