Trump destina ajuda financeira milionária a  ‘pilantras’ da JBS

Sede da JBS no Colorado

WASHINGTON – O governo do presidente americano Donald Trump destinou US$ 62 milhões em auxílio financeiro à JBS USA, subsidiária da companhia brasileira dos irmãos Joesley e Wesley Batista, denunciou a imprensa americana essa semana.

O dinheiro faz parte de um fundo de US$ 12 bilhões destinado para agricultores e pecuaristas no país afetados pela guerra comercial com a China.

Segundo o Daily News, parte da verba está sendo repassada para os irmãos donos da JBS, chamados de “pilantras” (“crooks”) pela publicação.

“O tamanho dos pagamentos alimentou a indignação de membros da indústria, que questionam como subsidiar uma empresa brasileira de capital fechado ajudaria os agricultores nos Estados Unidos”, diz o artigo.

Documentos apontam que o Departamento de Agricultura americano fechou um contrato em janeiro para comprar US$ 22,3 milhões em carne suína da JBS USA, que opera no Colorado.

Desde então, a administração de Trump já destinou outros dois montantes à empresa, um de US$14,5 milhões em fevereiro e outro de US$ 25,6 milhões no início deste mês, ambos em troca da venda de carne de porco, como parte do programa de auxílio financeiro.

A imprensa americana destaca que Joesley e Wesley Batista foram presos em setembro de 2017 e libertados no primeiro semestre de 2018. A JBS, que se tornou a maior empresa processadora de carne do mundo, é alvo de cinco operações da Polícia Federal, que investigam pagamento milionário de propinas a agentes públicos.

Os dois irmãos firmaram acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), mas foram posteriormente acusados de omissão de informações em seus depoimentos.

A J&F, holding que congrega os negócios dos Batista, também está sendo investigada nos Estados Unidos, sob acusações de possíveis violações da Lei de Práticas de Corrupção no Exterior, que pune empresas que corrompem políticos em outros países.

No fim de 2018, Joesley e Wesley foram interrogados por funcionários do Departamento de Justiça americano em Brasília. Os irmãos não podem deixar o Brasil, mas negociam acordo de leniência com as autoridades dos Estados Unidos.

Críticas

Americanos envolvidos no mercado de pecuária americano ouvidos pelo New York Daily News contestam o repasse de dinheiro público a uma empresa estrangeira, cujos donos são investigados por corrupção.

Segundo os especialistas, a JBS USA não está sendo prejudicada pela guerra comercial entre Estados Unidos e China. A empresa, na verdade, viu suas exportações para o país asiático crescer em pelo menos 3% em 2018, levantando ainda mais questionamentos sobre a necessidade do auxílio financeiro.

“Esta empresa não parece estar enfrentando dificuldades ”, afirmou Tony Corbo, da organização sem fins lucrativos Food & Water Watch, ao Daily News. O lobista observou que a companhia brasileira registrou um lucro líquido de 273 milhões de dólares no primeiro trimestre de 2019.

Um caso similar ao da JBS USA foi registrado no ano passado, quando um contrato de auxílio financeiro para a Smithfield Foods, que pertence ao grupo chinês Shuanghui, foi cancelado após membros do Congresso pressionarem o governo. Os legisladores argumentaram que o dinheiro destinado aos agricultores americanos estava acabando nas mãos de estrangeiros.

A deputada federal republicana por Connecticut, Rosa DeLauro, apresentou um projeto de lei no início de 2019 que busca restringir o programa de ajuda do governo americano para a agricultura a empresas americanas.

Em nota, a JBS USA afirmou que, apesar de ser de propriedade estrangeira, “é uma orgulhosa parceira de agricultores e famílias de fazendeiros americanos, ajudando a criar oportunidades econômicas em centenas de pequenas cidades rurais”.

Ainda segundo a empresa, a participação da JSB USA nos programas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos ajuda a sustentar os preços dos suínos no país e auxilia os produtores locais.

(Com Agências)