Trabalhistas britânicos iniciam congresso em plena crise do Brexit

LONDRES – Os trabalhistas britânicos, profundamente divididos, iniciaram neste fim de semana um congresso difícil para seu líder, Jeremy Corbyn, pressionado por figuras importantes do partido a defender claramente a permanência do Reino Unido na União Europeia (UE), a poucas semanas do Brexit.

Os trabalhistas debaterão até quarta-feira (25) algumas propostas expressamente de esquerda, como a semana de trabalho de quatro dias, o fim das escolas particulares ou a redução a zero das emissões de CO2 até 2030, com o objetivo de preparar seu programa para as eleições gerais britânicas, que podem acontecer de forma antecipada nos próximos meses.

Mas o tema principal do congresso é o Brexit, sobre o qual 1.200 delegados votarão na segunda-feira (23).

A posição dos trabalhistas a respeito do Brexit não é clara, em um país cada vez mais polarizado entre a determinação do primeiro-ministro conservador, Boris Johnson, de sair da UE em 31 de outubro, mesmo sem um acordo, e a vontade do ‘Lib Dem’ (Partido Liberal Democrata, centrista) de seguir dentro da UE sem a organização de um segundo referendo.

Em um artigo publicado esta semana no jornal The Guardian, Corbyn afirmou que se o Partido Trabalhista chegar ao poder, um segundo referendo será organizado com as opções de votar a favor da permanência na UE ou da saída com uma “oferta crível”, que incluiria uma “nova união alfandegária” com os demais países membros e garantias sobre os direitos sociais e do meio ambiente.

“O povo britânico terá em suas mãos a decisão final”, afirmou Corbyn, 70 anos. Eurocrítico e muito mais à esquerda que seus antecessores, o líder trabalhista defendeu sem grande entusiasmo a opção “remain” (permanecer) no referendo de 2016, no qual 52% dos eleitores votaram na saída da UE.

Dirigentes trabalhistas, como Tom Watson, número dois do partido, desejam que o partido se posicione de forma clara a favor da permanência da UE.

Watson afirmou recentemente que os trabalhistas deveriam apoiar “sem ambiguidade” a opção de permanecer na UE em um suposto segundo referendo, que ele gostaria de ver convocado antes das próximas eleições gerais, cuja organização de forma antecipada parece provável pela crise política no país, provocada pela questão do Brexit.

A popularidade de Corbyn registrou queda e atualmente está no menor nível da história para um líder da oposição, segundo uma pesquisa do instituto Ipsos Mori: 76% dos britânicos entrevistados se mostraram descontentes com a ação do líder trabalhista, que protagonizou uma recuperação do partido nas legislativas de 2017.

O Partido Trabalhista tem 24,5% das intenções de voto, muito atrás do Partido Conservador (35,5%), que subiu nas pesquisas após a designação de Johnson como primeiro-ministro, segundo uma compilação das últimas sondagens realizada pela London School of Economics (LSE), que ressaltou a volatilidade do eleitorado britânico.

(AFP)