Tereza Cristina viaja aos EUA para tratar da suspensão da importação de carne bovina brasileira pelo país

A ministra Tereza Cristina em imagem de arquivo

BRASÍLIA/ WASHINGTON – A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, se reunirá nesta quarta-feira (20) em Washington com o secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Sonny Perdue. Na pauta, a suspensão das importações de carne bovina brasileira in natura pelo país, além de trigo e etanol.

O governo americano quer enviar uma nova missão ao Brasil para tratar da questão da carne, mas o ministério da Agricultura acredita que outra missão não é necessária. Um ponto que pode facilitar a negociação, segundo a ministra, é a questão da exportação de carne norte-americana para o Brasil.

“Nós não temos que trocar nada com eles. Nós temos alguns assuntos que vão ser colocados à mesa e que podem facilitar, vamos dizer, esse certificado de carne dos Estados Unidos para o Brasil, é um tema muito burocrático, mas que o Brasil mudou o seu certificado, e os Estados Unidos têm dificuldade de se adaptar. Vamos colocar como pode ser feito, mas não vai ter troca nenhuma”, pontuou a ministra.

Em coletiva de imprensa nesta segunda, Tereza Cristina afirmou que o objetivo da sua viagem não é “levar de volta para o Brasil a reabertura ou tirar a suspensão das exportações do Brasil para os EUA de carne in natura”. A ministra ainda disse que o Brasil vive um momento em que outros mercados podem compensar mais do que o americano.

“Hoje o mercado brasileiro vive um boom muito interessante que eu nem sei se, neste momento, a gente exportaria carne para os EUA, porque hoje o preço de outros mercados, e principalmente da China, são preços muito mais compensadores, do que… agora: é importante a gente ter os EUA aberto, não tem dúvida, para alguns tipos de carne.”

No fim do mês passado, o governo americano decidiu manter o veto à importação de carne in natura do Brasil. Em junho de 2017, o governo havia suspendido a importação do produto, por problemas fitossanitários. O governo brasileiro argumenta que o problema era relacionado a abcessos em carnes que receberam vacina contra a febre aftosa, questão que não tornaria a carne imprópria para consumo.

O relatório do governo americano do fim do mês passado aponta quatro questões relacionadas à carne brasileira exportada: definição de padrões para definir quando um animal a ser abatido está com temperatura elevada, risco de contaminação cruzada da carne de cabeça, problemas no processo de maturação e melhorias no processo de coleta para testes microbiológicos.

Desde então, o governo americano enviou duas missões ao Brasil e quer enviar uma terceira. O ministério da Agricultura acredita que os pontos técnicos expostos pelo governo americano “já foram respondidos”, segundo o secretário de Comércio e Relações Internacionais do ministério, Orlando Leite Ribeiro. Além disso, argumentou o assessor, “o problema é que a data da missão nem está marcada”.

A ministra confirma que o entendimento é que não há necessidade de nova missão.

“O que foi pedido é muito pouco para que se tenha uma missão indo ao Brasil. Nós podemos esclarecer esses pontos técnicos, isso é uma conversa técnica, não é uma conversa política. Vamos deixar bem claro porque, ultimamente, no Brasil, a parte sanitária está politizada. Não existe política na parte sanitária no Brasil. A parte sanitária ela é extremamente técnica, e o ministério tem tratado assim. Com a China é assim, com o Canadá é assim, com a União Europeia. (…) Claro que, às vezes, é usada como uma barreira comercial a parte sanitária, não existe santo neste comércio. Mas não existe também essa politização que querem dar no Brasil. ‘ah, é porque o presidente dos EUA…’. Isso não chega a nível presidencial, às vezes não chega nem a nível do ministro”, concluiu.