Rica herdeira se declara culpada em escândalo de escravas sexuais nos EUA

Clare Bronfman é filha de Edgar Bronfman, filha de um empresário bilionário do ramo de bebidas (Foto: AP)

NOVA YORK Clare Bronfman, herdeira da gigante de bebidas canadense Seagram, se declarou culpada nesta sexta-feira, 19, pelo envolvimento na seita Nxivm, onde dezenas de mulheres se tornaram escravas sexuais do guru Keith Raniere, informou o procurador federal do Brooklyn.

Ao assumir a associação criminosa por esconder estrangeiras sem documentos e usurpação de identidade, a filha do falecido Edgar Bronfman evita um julgamento que começará no dia 7 de maio, com o ex-guru Keith Raniere como o único réu.

Bronfman, de 40 anos, pode pegar 25 anos de prisão, mas as recomendações preveem em seu caso uma pena de cerca de dois anos, segundo um porta-voz da Procuradoria. Sua sentença será anunciada em 25 de julho.

Tráfico sexual

Presa em julho de 2018, Clare Bronfman fazia parte da direção da Nxivm, a organização fundada por Keith Raniere, que é acusado de ter mantido durante vários anos um círculo de 15 a 20 mulheres que obedeciam os seus desejos sexuais.

As “escravas” da seita, localizada em Albany, a capital do estado de Nova York, eram tatuadas com um símbolo com as iniciais de Raniere. As vítimas eram imobilizadas por outras mulheres e as sessões filmadas.

Rainiere foi preso por tráfico sexual após operar nos últimos 20 anos uma série de supostos programas de auto-ajuda no âmbito de uma organização chamada “Nxivm”. Além de centros nos Estados Unidos, tinha representações no México, no Canadá e na América do Sul.

Com base em uma organização piramidal, os cursos de cinco dias custavam US$5 mil e as participantes, que muitas vezes ficavam endividadas, tinham que trabalhar para a organização.

Uma das missões das escravas era fazer sexo com o “professor”. Todas eram encorajadas a recrutar outras para subir a escada hierárquica.

Junto com sua irmã Sara, Bronfman é acusada de contribuir para a seita com mais de US$100 milhões da fortuna da família.

Identidades falsas

Segundo os autos da Corte, Clare Bronfman financiou processos contra seus supostos inimigos, usando identidades falsas para acessar dados de computador e ajudado Raniere a usar o cartão de crédito de uma ex-amante que havia morrido.

Além de Raniere, de 58 anos, que foi preso no México em março de 2018, os outros cinco acusados no escândalo se declararam culpados.

A atriz americana Allison Mack, da série televisiva “Smallville”, acusada de sete crimes ligados a sua responsabilidade na seita, admitiu a culpa há poucos dias por duas acusações de conspiração para cometer um crime.

A rede HBO anunciou na quinta-feira que vai produzir uma série de documentários sobre o escândalo.