Passageiro clandestino em voo de Cuba para Miami é encontrado junto às malas

Autoridade aduaneira dos EUA confirmou à BBC que 'homem cubano' foi encontrado enquanto malas eram retiradas de avião — Foto: BonnieHenderson/Creative Commons

MIAMI – Funcionários do setor de bagagens do aeroporto internacional de Miami,na Flórida,  encontraram em meio a malas nesta sexta-feira (16)… um homem. O jovem cubano, de 26 anos, estava escondido entre as malas de um voo fretado da companhia Swift Air, procedente de Havana.

O voo aterrissou em Miami pouco depois da meia-noite do horário local.

Não ficou claro se o jovem trabalhava no aeroporto internacional José Martí de Havana, algo que poderia se supor pela roupa que ele vestia – um uniforme da Empresa Cubana de Aeroportos e Serviços Aeronáuticos. Ele também trazia um crachá com sua identificação.

Alguns passageiros do voo gravaram vídeos enquanto o jovem era detido por agentes do serviço de Aduanas e Proteção Froteiriça dos Estados Unidos (Customs and Border Protection, o CBP) na pista.

As imagens foram então reproduzidas nas redes sociais e em veículos de imprensa locais.

A BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, tentou contato com a companhia aérea, mas não teve resposta.

Entrada rejeitada

Keith Smith, porta-voz do CBP, enviou um comunicado à BBC News Mundo que confirma que agentes do aeroporto de Miami apreenderam “um homem cubano de 26 anos que tentou evitar ser detectado em um avião que chegava de Havana na madrugada de sexta-feira”.

“O CBP recebeu informes sobre um possível passageiro clandestino depois da meia-noite quando um funcionário encontrou um homem durante o descarregamento”, prossegue o texto.

“A entrada no país foi negada e agentes do CBP o processaram como imigrante clandestino de acordo com a lei de Imigração e Nacionalidade. Os agentes do CBP permanecem vigilantes para deter pessoas que tentarem entrar sem ser detectados, burlando a lei federal.”

Sedento e assustado

As autoridades não especificaram como o jovem conseguiu se esconder no porão do avião em Havana e como ele pôde resistir às condições da viagem.

“Abrimos a porta da bagagem e quando entramos, ouvimos um barulho. Uma voz gritou: ‘Não é um cachorro, sou eu, sou eu!’. Ele apenas nos pediu para lhe dar água, disse que estava com medo e perguntou se poderíamos ligar para sua família “, disse um funcionário do aeroporto ao canal Telemundo51.

Embora o jovem tenha sido impedido de entrar nos Estados Unidos, ele ainda tem a opção de pedir asilo – para isso, precisa provar que corre risco de perseguição em Cuba.

Chegada dos cubanos aos EUA

Segundo dados da Guarda Costeira dos EUA, mais de 430 cubanos tentaram chegar aos EUA pelo mar neste ano fiscal (desde outubro de 2018), em comparação com os 384 contados durante o ano fiscal de 2018 (outubro de 2017 a setembro de 2018).

Esses números representam o número total de “interceptações” no mar e nos desembarques no Estreito da Flórida, no Caribe e no Atlântico.

Em janeiro de 2017, dias antes de deixar a presidência dos EUA, Barack Obama cancelou a política de “pés secos, pés molhados” promulgada em 1995.

De acordo com essa política, os cubanos que conseguissem pisar em território americano eram protegidos e podiam permanecer nos EUA e até obter residência permanente.

O fim da política era uma exigência antiga de Cuba e fez parte de uma tentativa, no governo Obama, de melhora nas relações bilaterais destes países.

Após o cancelamento da política, o fluxo de cubanos que chegavam por via marítima foi significativamente reduzido, mas este ano voltou a subir.