Morre criança baleada durante ação da Polícia Militar do Rio de Janeiro

Ágatha levou um tiro das costas

RIO DE JANEIRO – Uma menina de oito anos morreu na madrugada deste sábado, 21, após ser atingida por um disparo de fuzil durante ação da Polícia Militar do Rio de Janeiro no Complexo do Alemão na noite da última sexta-feira. A morte de Agatha Vitória Sales Félix foi confirmada pela direção do Hospital Estadual Getúlio Vargas.

Agatha estava com a avó em uma Kombi na comunidade da Fazendinha, no Complexo do Alemão, quando foi atingida nas costas por uma bala de fuzil. A Polícia Militar afirma que policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Fazendinha, que estavam na esquina da Rua Antônio Austragésilo com a Rua Nossa Senhora da Glória, foram ‘atacados de várias localidades da comunidade de forma simultânea’ e revidaram.

No Twitter, a comunidade reagiu: “É inaceitável qq desculpa oficial dada sobre a morte de uma criança de 8 anos. É o assassinato deliberado da infância, do futuro. A política da morte de Witzel matou Ágatha e se nós não fizermos nada continuará assassinando. Tem que parar! #ACulpaEDoWitzel”,  escreveu o perfil Voz das Comunidades. 

A polícia alega ainda que fez uma varredura no local em busca de feridos, mas não encontrou ninguém. O ferimento de Agatha teria sido informado por moradores da região, que foram até o Hospital Getúlio Vargas e confirmaram a entrada da criança na unidade. A Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) afirmou que vai abrir um procedimento apuratório para ‘verificar todas as circunstâncias da ação’.

Dezenas de pessoas participavam na manhã deste sábado de uma manifestação contra a violência nas comunidades que forma o Complexo do Alemão, segundo vídeos postados nas redes sociais pelo jornal comunitário Voz das Comunidades.

Os manifestantes carregavam faixas lembrando os nomes de algumas das vítimas de confrontos e mensagens como “Parem de nos matar”, “Chega de morte” e “Não quero enterrar meu filho”. Ao microfone, os líderes do protesto pediam um basta à violência e ao uso de helicópteros que têm sobrevoado as comunidades fazendo disparos contra a favela.