MIT alerta estudantes sobre visita do ICE

BOSTON — O Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) avisou a seus estudantes essa semana que agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) dos Estados Unidos podem visitá-los em seus locais de trabalho para verificar se a atividade exercida está relacionada diretamente a seus estudos.

Um memorando do Departamento de Segurança Interna (DHS) enviado na quinta-feira (9) confirma as inspeções em empresas que empregam estudantes internacionais nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

Segundo a porta-voz do MIT, Kimberly Allen, não há previsão que os agentes visitem as instalações da universidade.

No ano passado, a Imigração já havia alertado sobre as incursões no local de trabalho de alunos que participam do programa Optional Practical Training, que permite que estudantes estrangeiros trabalhem temporariamente em posições relativas a sua graduação. De acordo com os dados mais recentes do ICE,  em 2017, mais de 328 mil alunos já se beneficiaram desse programa.

Em agosto, as Universidades da Pensilvânia e de Duke receberam notificações semelhantes.

O DHS, que comanda o ICE, esclarece que as visitas pretendem “reduzir potenciais abusos” da extensão de vistos e os empregadores vão receber uma noticificação de 48 horas antes da inspeção, a menos que haja a suspeita de irregularidades.

A administração de Donald Trump reforçou a fiscalização com o receio de que a China e outros países roubem a propriedade intelectual norte-americana.

A ação, segundo as agência federal, ganhou força após Zaosong Zeng, um chinês de 29 anos que estudava medicina na Universidade Harvard, ter sido preso no aeroporto internacional do Logan, em Boston, sob suspeita de roubar e tentar levar para fora do país resultados de pesquisas para a cura do câncer. O FBI (Polícia Federal americana) o acusou de agir em nome do governo da China.

Em 2018, outro chinês foi condenado a 10 anos por conspiração. Weiqiang Zhang fazia doutorado na Universidade Estadual da Lousiana e teria dado grãos de arroz desenvolvido nos Estados Unidos a visitantes provenientes da China.

Há sete meses, o presidente do MIT, L. Rafael Reif, emitiu um comunicado de que as suspeitas estão criando uma “atmosfera tóxica, com justificativas infudadas e uma onda de medo”. Ele ressaltou que estudantes e pesquisadores chineses relataram estar se sentindo intimidados e estigamatizados pela sua etnia.

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