Lyft vai rechecar antecedentes dos motoristas; ICE não descarta pedir fichas

LOS ANGELES – A empresa de aplicativos de carro compartilhado Lyft confirmou que ampliou as suas verificações de antecedentes criminais, depois que um motorista de seu quadro foi preso na Califórnia acusado de estupro com o agravante do Serviço de Imigração (ICE) dos Estados Unidos revelar que ele estava em situação irregular no país.

A Polícia de San Francisco prendeu o motorista Orlando Vilchez Lazo, de 36 anos, em julho e o acusou de estuprar pelo menos quatro mulheres em seu carro. Na época, Kate Margolis, porta-voz da Lyft, disse que a empresa desconectou o suspeito imediatamente.

Margolis e os policiais afirmaram que não há provas de que Vilchez Lazo estava de plantão quando os ataques ocorreram. Ele pode ter atraído as mulheres para seu carro sem que elas tenham pedido o serviço pelo aplicativo.

Mesmo assim, após os crimes, os “processos de verificação de antecedentes serão aplicados a novos candidatos e também aos motoristas existentes”, disse Kate Margolis. Ela se recusou a discutir as mudanças em detalhes.

Segundo motoristas vinculados à empresa, ‘alguns já foram notificados e tiveram suas contas bloqueadas’. O ICE não descarta a hipótese de solicitar as fichas de motoristas estrangeiros.

O advogado Danilo Brack, da Brack Law, em Massachusetts, disse que ‘o ICE pode requisitar fichas quando houver um motorista preso ou envolvido em problema, mas que para obter de todos os estrangeiros terceirizados o governo federal teria que travar uma luta judicial porque as pessoas em situação legal no país teriam a sua privacidade invadida’.

Brack alerta que ‘fornecer um número de social falso é um crime considerado grave e o responsável responde ao crime em esfera federal’.

“Além de ainda incorrer no risco de o IRS (imposto de Renda) indiciar por crime fiscal e a Imigração o levar à Corte por fraude e a pessoa se tornar deportável”, acrescenta.

O advogado enfatiza que ‘dar um número que não é seu é um crime e se a pessoa tiver também o cartão impresso responde ainda por ‘produção de documento falso’.

De acordo com o ICE, Vilchez Lazo estava vivendo ilegalmente no país e que planejava deportá-lo para sua terra natal, o Peru, caso ele fosse libertado da prisão na Califórnia. Ele está sendo mantido preso sem fiança e se for condenado pode pegar prisão perpétua.

Vilchez Lazo é acusado também de ter fornecido dados falsos quando se candidatou à vaga de motorista. O peruano deu um número de seguro social inexistente e vai responder por fraude.

A Uber e a Lyft contratam empresas privadas que administram o nome do motorista, a licença e o número do seguro social por meio de registros judiciais locais, bancos de dados criminais nacionais e um registro federal de criminosos sexuais.

As pesquisas podem levar menos de 24 horas mas nenhuma delas sinaliza um trabalhador no país usando ilegalmente documentos falsos ou em situação imigratória irregular.

Na Califórnia, depois de um debate acalorado, a Comissão de Serviços Públicos do estado ordenou que as empresas fizessem checagem de antecedentes criminais anualmente em todos os seus motoristas. Anteriormente, as companhias executavam apenas uma única verificação antes de contratar um motorista.

A comissão, no entanto, resistiu às chamadas para exigir a impressão digital dos motoristas. Os comissários disseram que a contratação de empresas de segurança credenciadas para pesquisar bancos de dados criminais e executar verificações de crédito de motoristas potenciais é suficiente.