ICE atualiza para 250 o número de estudantes presos na ‘armadilha da universidade’

Frente do prédio usado para atrair estudantes como se fosse a universidade

WASHINTON – O número de estudantes internacionais presos após caírem na ‘armadilha da universidade’, prática atribuída ao ICE, chega a mais de 250, informou o Departamento de Segurança Interna (DHS) dos Estados Unidos essa semana. Pelo menos 90 pessoas a mais do que os 161 detidos divulgados em março.

Os estrangeiros são acusados de tentar enganar o governo americano ao se matricularem na Farmington University, em Detroit (Michigan), operada pelos agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) disfarçados com a intenção de atrair estudantes internacionais, a maioria da Índia, que pretendiam estudar tecnologia e computação no país. O esquema foi revelado em janeiro.

De acordo com um comunicado do DHS divulgado na terça-feira, 26, “80% dos cerca de 250 estudantes que respondiam por processos administrativos e estavam na fila deportação decidiram deixar o país voluntariamente”.

Dos 20% restantes, metade recebeu ordem deportação. “Enquanto alguns tiveram as ordens de extradição emitidas pela Corte outros foram submetidos à deportação expressa pelo Serviço de Controle e Proteção de Alfândegas (CBP)”, afirma a nota.

Ainda segundo o DHS, pelo menos 10% dos presos no esquema contestam as ordens de deportação no Escritório de Revisão do ICE. Pelo menos um estudante recebeu de um juiz o direito à residência permanente.

Os advogados de defesa dos estudantes argumentam que os imigrantes foram enganados, uma vez que a Universidade de Farmington aparecia no site do DHS como legítima e credenciada pela agência federal.

“Os Estados Unidos criaram uma armadilha para pessoas vulneráveis que apenas queriam manter o seu status legal no país”, destaca Rahul Reddy, um advogado do Texas que representa estudantes envolvidos na fraude.

Reddy disse ainda que o governo americano fez dinheiro em cima dos imigrantes. Segundos dados do processo, a Universidade de Farmington matriculou mais de 600 alunos desde que foi criada em 2015 pelo ICE. Cada um pagava, em média, US$12 mil por ano em mensalidades e taxas.

Advogados do ICE e do DHS contestam esse argumento. Eles afirmam que os alunos sabiam que não se tratava de uma faculdade legítima “uma vez que não tinha aulas em uma sala física”.

O assistente da Promotoria Federal, Brandon Helms, enfatizou que “após se inscreverem na universidade, 100% dos estudantes nunca passaram um segundo na sala de aula. Se eles realmente queriam receber Educação, essa universidade não seria capaz de atraí-los. Não havia professores, aulas ou atividades educacionais”.

Até agora ninguém entrou na Justiça contra o DHS.

Esquema

Os alunos chegaram aos EUA com vistos de estudantes, mas perderam o status após a revelação de que a Farmington University era falsa. Os funcionários da instituição, fechada em janeiro, eram agentes do ICE disfarçados.

Muitos dos estudantes estavam inscritos no programa Curricular Practical Training que permite a alunos estudar e trabalhar nos EUA com o visto F-1. Entre os estudantes recutrados pela falsa universidade, muitos eram transferidos de instituições que perderam a licença junto ao governo federal e estavam prestes a perder o status legal no país.

Além disso, 8 pessoas foram acusadas criminalmente de recrutar os estudantes para a universidade falsa.Elas se declararam culpadas.

Recrutadores

Os oito recrutadores de alunos para a Fairmington foram processados e condenados a pelo menos um ano de prisão. Apenas um ainda aguarda a sentença.

Aswanth Nune, 26, de Atlanta (Geórgia) e Naveen Prathipati, 26, de Dallas (Texas) foram condenadas a 12 meses de prisão; Avinash Thakkallapally, 28, de Harrisburg (Pensilvânia) a 15 meses; Barath Kakireddy, 29, de Lake Mary (Flórida) e Suresh Kandala, 31, de Culpeper (Virgínia) a18 meses; e Santosh Sama, 28, de Fremont (Califórnia) a 24 meses.

A oitava acusada, Phanideep Karnati, 35, de Louisville (Kentucky) vai ser sentenciada em janeiro.

Com BM NEWS e agências internacionais