Governo Trump soma 24 mortes sob custódia do ICE

WASHINGTON – A administração de Donald Trump registrou 24 mortes sob a custódia do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) dos Estados Unidos desde que assumiu o poder em 2017, denunciaram ativistas essa semana.

É o maior número desde o recorde de 32 óbitos atingido em 2004 durante o período de um ano e não inclui as cinco crianças que morreram sob cuidados de outros órgãos federais nos últimos seis meses.

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“O que nós estamos vendo é o aumento improcedente de um sistema punitivo, perigoso e caro”,  observa  Katharina Obser, da Comissão de Mulheres Refugiadas. Ela diz que “o governo americano não está fazendo o mínimo para garantir que os imigrantes recebam tratamento médico e mental que eles precisam”.

No mês passado, uma reportage da NBC News revelou que tanto nas administrações de Barack Obama como na de Donald Trump “pessoas com problemas mentais e médicos são confinados em solitárias”.

O ICE afirma que as mortes sob custódia da agência são “extremamente raras” e que há uma verba de US$269 milhões para oferecer “tratamento médico compreensivo” para cada um dos cerca de 500 mil imigrantes que são presos anualmente nos EUA.

Em um comunicado enviado à NBC, o ICE enfatiza “que leva à sério a saúde, a segurança e o bem estar de quem está sob seus cuidados, incluindo aqueles que já estavam doentes ou nunca receberam tratamento médico”. “Qualquer morte que acontece nas dependências do ICE é preocupante”, acrescentou a porta-voz Danielle Bennett.

Mas um relatório do Departamento de Segurança Interna (DHS), que supervisiona o ICE, divulgado recentemente aponta “violações flagrantes” em dois centros de detenção inspecionados, incluindo “serviço médico inadequado, comida estragada e outras condições que representam risco à saúde dos detentos”.

Documentos internos mostram ainda a preocupação de funcionários do DHS e do ICE com falta de recursos médicos que podem colocar a vida de imigrantes encarceirados em risco.