Governo obtém 986% de ágio em leilão de aeroportos; Aena vence Nordeste

Com representantes da Aena, ministro da Infraestrutura bate o martelo ao final do leilão (Foto: Globo)

SÃO PAULO – O governo federal levantou 2,377 bilhões de reais em valor de outorga mínima com o leilão de três lotes de aeroportos nesta sexta-feira, num certame acirrado no qual a espanhola Aena venceu o lote mais disputado, o do Nordeste.

O valor com outorga mínima representa um ágio de 986 por cento em relação ao valor mínimo fixado para o leilão, que concedeu 12 aeroportos do país: Recife, Maceió, João Pessoa, Aracaju, Campina Grande (PB) e Juazeiro do Norte (CE), no Nordeste; Vitória e Macaé (RJ), no Sudeste; e Cuiabá, Sinop, Rondonópolis e Alta Floresta, todos no Mato Grosso. Em conjunto, os aeroportos leiloados respondem por 9,5 por cento do mercado doméstico.

A Aena superou a própria Zurich e o Consórcio Nordeste, formado pelo Pátria e pela alemã PSP/AviAlliance, que travaram disputa acirrada até o fim. A companhia espanhola ofereceu lance de 1,9 bilhão de reais pelo bloco de terminais no Nordeste.

O lote Sudeste foi vencido pela suíça Zurich, com oferta de 437 milhões de reais. E o lote Centro-Oeste foi arrematado pelo consórcio Aeroeste, formado pelos grupos Socicam e Sinart, que ofereceram pagar 40 milhões de reais.

O bloco Centro-Oeste teve apenas dois competidores, com o Aeroeste vencendo um consórcio formado por Construcap e Agunsa. A Zurich bateu no lote do Sudeste CPC, da CCR, a ADP do Brasil, e a Fraport.

Primeira concessão de logística do governo de Jair Bolsonaro, o leilão de aeroportos serviU para medir o apetite de investidores por ativos dentro do modelo de lotes, que também deve ser usado nas próximas rodadas e que incluirão os terminais mais cobiçados do país, disseram especialistas à Reuters nesta semana.

PLANO MAIS AMPLO
O plano de concessões de terminais aeroportuários engloba duas novas rodadas para transferir 36 terminais para o setor privado entre 2020 e 2022. No conjunto, a expectativa é de que a operação movimente desembolsos de outorgas mínimas de 2,6 bilhões de dólares, segundo o Santander.

Para a primeira rodada, no ano que vem, a previsão é de licitar três lotes: O da região Sul do país pode incluir os aeroportos paranaenses de Curitiba, Foz do Iguaçu e Londrina; os de Joinville e de Navegantes, ambos em Santa Catarina; e os de Bagé, Uruguaiana e Pelotas, no Rio Grande do Sul.

O lote do Centro-Oeste/Nordeste pode ter os terminais de Goiânia (GO), Palmas (TO), São Luís (MA), Teresina (PI), Imperatriz (MA), Petrolina (PE). E o do Norte do país tem os aeroportos amazonenses de Manaus, Tabatinga e Tefé, além de Porto Velho (RO), Boa Vista (RR), Rio Branco (AC), Cruzeiro do Sul (AC).

Para 2021-22, outros três lotes devem ser licitados, sendo um com terminais no Norte (Belém, Santarém, Altamira, Marabá e Carajás, todos no Pará, além de Macapá (AP).
Mas os mais cobiçados devem ficar por último. Um lote terá o de Congonhas, na capital paulista, além dos de Campo Grande, Corumbá, e Ponta Porã, todos no Mato Grosso do Sul. O outro, com o Santos Dumont, no Rio de Janeiro, inclui também os terminais mineiros de Pampulha, Uberlândia, Uberaba e Montes Claros.