Democratas podem emitir intimações para solicitar relatório completo sobre Trump e Rússia

WASHINGTON – Parlamentares democratas podem agir rápido, a partir de segunda-feira, para emitir intimações em busca do relatório completo do procurador especial Robert Mueller sobre a interferência da Rússia na eleição norte-americana de 2016, após o procurador-geral William Barr divulgar uma versão do documento na quinta-feira, que pode ter partes significativas ocultadas.

A divulgação do relatório representará um marco para o turbulento governo de Donald Trump. Barr disse que fará uma coletiva de imprensa na quinta-feira para discutir o relatório, ao lado do vice-procurador-geral Rod Rosenstein, que indicou Mueller como procurador especial em maio de 2017.

Trump, que usou o Twitter para renovar suas críticas à investigação do procurador especial e ao FBI, disse a uma rádio que pode realizar uma coletiva de imprensa após a de Barr.

Quando o relatório for divulgado, será destinada grande atenção não apenas a potenciais novos detalhes sobre os contatos da campanha de Trump com a Rússia e à questão de se o presidente republicano agiu para impedir o inquérito, mas também sobre quanto Barr escolherá omitir.

A Comissão Judiciária liderada por democratas da Câmara dos Deputados votou em 3 de abril para autorizar seu presidente, Jerrold Nadler, a emitir intimações ao Departamento de Justiça para obter o relatório não editado de Mueller e todas as evidências inerentes a ele, assim como documentos e testemunhos de cinco ex-assessores de Trump.

Uma fonte com conhecimento do assunto disse que Nadler pode emitir intimações já na segunda-feira.

Barr, que tem ampla autoridade para decidir quanto do documento irá divulgar, tem prometido ser o mais transparente possível, mas disse a parlamentares que irá editar quatro categorias de conteúdo: informações confidenciais de grande júri, fontes e métodos de coleta de inteligência, informações ligadas a casos em aberto e informações que podem afetar a privacidade de “terceiros periféricos” que não foram acusados.

(Reuters)