Bloomberg avalia entrar na corrida presidencial democrata em 2020

Ex-prefeito de NY pode provocar uma reviravolta da disputa demcrata (Foto: Reuters)

NOVA YORK – O ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg está avaliando a entrada na corrida pela candidatura presidencial democrata de 2020, de acordo com um comunicado que seu porta-voz divulgou na quinta-feira, 7.

Se isso de fato acontecer, será um movimento que pode desorganizar a disputa apenas três meses antes das primárias do partido.

Bloomberg, o bilionário magnata da mídia e filantropo das questões de mudança climática e violência armada,  assumiu a prefeitura de Nova York em 2002 como republicano e mudou de partido três anos depois.
O prefeito da maior cidade dos Estados Unidos até 2013  está cético quanto às chances de qualquer dos atuais candidatos democratas derrotar o presidente Donald Trump nas eleições gerais do próximo ano, segundo assessores.

“Mike está cada vez mais preocupado com o fato de o atual grupo de candidatos não estar bem posicionado [para derrotar Trump], destacou o porta-voz de Bloomberg, Howard Wolfson, em um comunicado.

Bloomberg, de 77 anos, deve apresentar ainda nesta sexta-feira a documentação para disputar a primária presidencial democrata no Alabama, que exige a inscrição com muita antecedência. Isso manteria suas opções em aberto para uma possível candidatura à Casa Branca, disse fonte familiarizada com as posições do ex-prefeito.

“Se Mike concorrer, ele oferecerá uma nova opção para os democratas, com base em um histórico único, administrando a maior cidade dos Estados Unidos, construindo um negócio do zero e enfrentando alguns dos desafios mais difíceis dos EUA como filantropo de alto impacto”, afirmou Wolfson.

O campo democrata, agora com 17 pré-candidatos, vem convergindo para quatro nomes, de acordo com pesquisas recentes:

  • Elizabeth Warren, senadora de Massachusetts
  • Bernie Sanders, senador de Vermont
  • Joe Biden, ex-vice-presidente
  • Pete Buttigieg, prefeito de South Bend, Indiana

Críticas aos concorrentes atuais

Bloomberg, que nasceu em Brighton (MA) e se formou na Universidade Harvard,  criticou Warren e seu plano de instituir um imposto sobre os super-ricos se ela for eleita presidente para financiar programas que vão desde atendimento médico universal a escolas gratuitas.

“Se Bloomberg participar da disputa, ele provavelmente competiria com candidatos como Biden e Buttigieg como uma alternativa moderada ao progressismo populista de Warren”, avaliou a assessor.

Bloomberg, que a Forbes classifica como o oitavo norte-americano mais rico, com uma fortuna estimada de US$53,4 bilhões, seria capaz de financiar sua própria campanha. Isso daria chances que ele crescesse rapidamente na disputa, mas teria que construir uma organização em vários estados em tempo real.

O caucus de Iowa, a primeira disputa formal no calendário democrata, será realizado no dia 3 de fevereiro.