Ativistas protestam em Massachusetts contra corte na educação do Brasil

A luta por um Brasil justo, igualitário e com educação, saúde e toda estrutura básica de vida é uma luta universal, não tem fronteiras, defendem os manifestantes (Foto: Resist Brasil-Boston)

CAMBRIDGE – Ativistas brasileiros aderiram na quarta-feira, 15, na Califórnia, Nova York e Massachusetts aos protestos de estudantes e professores de escolas e universidades públicas e particulares do Brasil contra cortes nas verbas da educação anunciados pelo governo do presidente Jair Bolsonaro que, em Dallas, no Texas,  chamou os manifestantes de ‘idiotas úteis’ e “imbecis”.

“Não podemos admitir que o Brasil pregue o aumento das armas, após um plebliscito que a população votou contra, e reduzir a verba destinada à educação”, disse Manuela Prado, moradora de Cambridge. “Votei nele e hoje me arrependo”, completa.

Enquanto os protestos aconteciam pelo Brasil inteiro e em várias partes do mundo, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, era sabatinado sobre os cortes no plenário da Câmara dos Deputados, onde ele passou das 15h às 21horas. Respondendo a perguntas de deputados, ele voltou a dizer que o governo tem como prioridade investir em educação básica e ensino técnico e alegou que não há corte, mas contingenciamento, de cerca de 30% na verba discricionária das universidades (em torno de 3,5% do total).

No final de sua participação, Weintraub disse concordar com a declaração do presidente Jair Bolsonaro a jornalistas quando chegava em um hotel na cidade texana de que os manifestantes são “idiotas úteis” e “massa de manobra” de grupos políticos opostos ao seu governo.

“O dia que eu não concordar com o presidente, abertamente não concordar, eu tenho que renunciar. Eu nunca vou chegar aqui em público e vou discordar do presidente, você discorda, eventualmente, internamente. Concordo com a declaração dele, o dia que eu não concordar, estou fora”, declarou Weintraub.

Nos Estados Unidos, Bolsonaro também disse que não gostaria de fazer esse bloqueio, mas ele é necessário. “A maioria ali é militante. É militante. Não tem nada na cabeça. Se perguntar 7 x 8 não sabe. Se perguntar a fórmula da água, não sabe. Não sabe nada. São uns idiotas úteis, uns imbecis que estão sendo utilizados como massa de manobra de uma minoria espertalhona que compõe o núcleo de muitas universidades federais do Brasil”.

A fala do presidente causou indignação a Luiza e Paulo Santos. “Nós não podemos ser ofendidos pelo presidente mais uma vez. Quando ele visitou a Casa Branca agrediu aos imigrantes e agora vem com mais essa pancada sobre nossas cabeças”, disse o casal de Somerville.

O grupo Mulheres da Resistência no Exterior organizou a manifestação na Universidade da Califórnia, em Los Angeles

Em Massachusetts, aproximadamente 70 pessoas participaram dos protestos em frente à biblioteca da Universidade Harvard. Mariana Paes, da Coletivo Resist Brasil, disse que ‘educação é um direito básico’.

“Educação transforma vidas e não existe sociedade democrática e civilizada sem acesso à educação. Boston recebe todo ano centenas de estudantes, professores e pesquisadores do Brasil, grande parte deles vindos de instituições públicas e todos desenvolvendo trabalhos essenciais para diversas áreas do conhecimento. O desmantelamento do ensino do Brasil é um problema de impacto global! Foi um protesto bastante emocionante, com depoimento de muita gente que tem lutado sua vida toda pela educação e ciência”.

De acordo com Mariana, ‘a luta por um Brasil justo, igualitário e com educação, saúde e toda estrutura básica de vida é uma luta universal, não tem fronteiras’. “Quando um país progride, o mundo progride. Não podemos deixar o desgoverno destruir o Brasil. Claramente o projeto do desgoverno é emburrecer e embrutecer o país. Mas não vamos assistir a isso calados, vamos lutar para que a democracia, cultura, ciência e educação resistam ao levante da ignorância conservadora”, afirmou.