Após irregularidades, venda da Tradição Moving será decidida na justiça

Além de não ter licença, empresa foi fechada pelo antigo dono Foto: Montagem BM News (no detalhe homem identificado como Edvaldo)

BOSTON – A justiça será responsável em decidir o imbróglio criado na negociação de venda da companhia Tradição Moving para os empresários Célia Nadok e João Santos, conhecido como João Borracheiro de Medford. Algumas irregularidades envolvendo os antigos administradores, entre elas a abertura de uma nova companhia com nome similar, podem paralisar as atuações da transportadora.

O valor da transação foi divulgado em $ 40 mil com 50% pagos antecipadamente a Geraldo Euzébio Pereira e o restante pendente para a data em que os novos donos assumissem o negócio. Segundo Santos, o dinheiro referente a segunda parcela está depositado no banco a espera da conclusão da negociação.

O empresário afirma que Pereira o procurou no início do ano oferecendo a Tradição Moving porque estava decidido a sair dos Estados Unidos. “Quando comprei a companhia o Geraldo me pediu para fazer os envios até essa data (1º de novembro) para aproveitar o fim de ano quando cresce o movimento, assim ele voltaria para o Brasil mais capitalizado”, explica Santos.

Em entrevista concedida ao investigador Tathiano Dessa em um canal de YouTube, Geraldo Pereira negou que tenha pego caixas neste período e que não tinha relação com uma pessoa identificada por clientes da empresa como Edvaldo que teria sido o responsável pelas coletas.

Os clientes alegam terem sido vítimas de um golpe. Uma vez que Edvaldo recebeu várias caixas e o dinheiro referente aos envios. “Eu nunca fiz negócio com ele”, disse Pereira.

Santos disse que recebeu várias ligações de clientes reclamando e pediu a sua sócia para resolver os problemas. Eles descobriram as caixas num depósito de armazenamento.

“Eu teoricamente não precisaria nem mesmo me envolver mas me senti na obrigação moral”, afirmou Santos.

Na justiça as pendências a serem resolvidas podem ser ainda mais severas. Geraldo Pereira logo após a venda fechou a companhia junto ao Estado de Massachusetts e em 2 de novembro abriu uma companhia nova, a GE Moving, que 13 dias depois teve uma alteração em sua razão social passando a ser chamada de Tradição Transportation and Moving Corporation. “Eu fiz isso porque não recebi”, enfatizou.

“Ele já poderia ter recebido porque o dinheiro está no banco. O problema é que ele fechou a companhia, abriu outra com o mesmo nome e há mais coisas ainda a serem resolvidas”, disse João Santos.

O negócio envolvia também um caminhão Ford que deveria ser entregue no ato. “Nós descobrimos depois que o veículo estava financiado e o Geraldo o quitou há poucos dias”, explica o empresário.

Embora seja ilegal o envio de caixas para o Brasil, a prática é comum e atende à demanda dos brasileiros que moram no exterior. Geralmente, as embalagens vão com as mudanças contratadas.

Outro ponto que não está na pauta da justiça mas talvez precise ser resolvido diante de um juiz é que a Tradição Moving, assim como a nova empresa montada por Geraldo Pereira, não possui licença junto a Federal Maritime Commission o que permitiria à empresa cruzar os mares internacionais.

Em tempo: apenas a Confiança, a Portugalia e a SO Express possuem essa licença entre as companhias que operam rotas de contêineres regularmente para o Brasil.

A Receita Federal disse ao PORTAL BM NEWS que o procedimento de envios de caixas é irregular e que a licença da Federal Maritime Commission é necessária. Fontes ligadas a Receita admitiram que a Tradição Moving está no radar das autoridades brasileiras.

                       
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